O QUE FAZER SE TIVER DOR LOMBAR?

10/01/2017 às 06h01

O QUE FAZER SE TIVER DOR LOMBAR?

Ficar em repouso só é aceito nos casos de dor extrema e no máximo por 3 dias, pois aumenta as fragilidades e diminui a função da coluna, sendo pior a longo prazo. Mas e se a dor não passar? O que fazer?

É necessário entender os tipos existentes de dor lombar para saber se é necessário ou não procurar um profissional com urgência. A dor lombar é classificada em específica e inespecífica.

Dor lombar específica é a dor que tem causa definida, ou seja, provavelmente é uma doença da coluna, como a hérnia de disco. A dor específica costuma ser bem incapacitante (a pessoa não consegue encontrar posição nenhuma que a dor diminua) ou vem acompanhada de sintomas em conjunto (sangue na urina ou falta de força nas pernas). Mas mesmo se você tiver um desses sintomas, TENHA CALMA! A dor lombar específica é POUCO COMUM e ACOMETE MENOS DE 10% das pessoas com dor lombar. Apenas após um exame clínico com um profissional capacitado é possível afirmar se a sua dor é de origem específica.

Dor lombar inespecífica significa exatamente o que o nome dela diz. Não tem uma causa específica, ou seja, não se sabe da onde vem. Apesar de soar estranho, isso pode ser muito bom, pois, se a dor não é específica significa que você não tem nenhuma doença. A dor lombar pode possuir muitas vias diferentes que irão desencadeá-la, por exemplo: pode ser por problemas mecânico-posturais (sobrecarga postural ou desuso dos músculos da coluna), que com o passar do tempo deixam o corpo mais fraco e propenso a tensões e dores; ou por problemas psicossociais (stress, depressão, ansiedade), que deixam o cérebro mais sensível, que por sua vez fragiliza os músculos das costas deixando-os mais propícios a disparar o alarme da dor mesmo que não estejam fazendo algo doloroso. É o tipo MAIS COMUM de dor lombar, acometendo grande parte das pessoas com dor.

Estudos científicos, envolvendo mais de um milhão de participantes, mostraram que pessoas com dor lombar que procuram a fisioterapia nos primeiros 30 dias e aderiram ao tratamento, diminuíram a quantidade de uso de medicamentos, infiltrações e cirurgias. Então, no caso de ter dor lombar, para aumentar muito suas chances de melhorar rapidamente, mantenha suas atividades e procure um fisioterapeuta de sua confiança.

Um abraço

Bruno Montoro

 

REFERÊNCIAS

Casser HR, Seddigh S, Rauschmann M: Acute lumbar back pain—investigation, differential diagnosis and treatment. Dtsch Arztebl Int 2016; 113: 223–34. DOI: 10.3238/arztebl.2016.0223

van Tulder M, Becker A, Bekkering T, et al. Chapter 3. European guidelines for the management of acute nonspecific low-back pain in primary care. Eur Spine J 2006;15(Suppl 2):S169-91.

Airaksinen O, Brox JI, Cedraschi C, Hildebrandt J, Klaber-Moffett J, Kovacs F, et al. Chapter 4. European guidelines for the management of chronic nonspecific low back pain. Eur Spine J. 2006;15 Suppl 2:S192-300.

Fritz JM1, Childs JD, Wainner RS, Flynn TW. Primary care referral of patients with low back pain to physical therapy: impact on future health care utilization and costs. Spine (Phila Pa 1976. 2012 Dec 1;37(25):2114-21. doi: 10.1097/BRS.0b013e31825d32f5.

Childs JD1, Fritz JM2, Wu SS3, Flynn TW4, Wainner RS5, Robertson EK6, Kim FS7, George SZ8. Implications of early and guideline adherent physical therapy for low back pain on utilization and costs. BMC Health Serv Res. 2015 Apr 9;15:150. doi: 10.1186/s12913-015-0830-3.

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Bruno Montoro tem formação em Fisioterapia, especialização em Ortopedia e Traumatologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Formação em Funcionalidade, Biologia Evolutiva e Antropologia (FBA), Método Busquet, liberação miofascial, treinamento funcional e outros. Atende com Fisioterapia Avançada e Reeducação do Movimento no estúdio Evolve; Palestrante e ministrante de workshops e consultoria (www.brunomontoro.com.br); Facilitador do curso Livre de FBA desde 2013 (www.cursofba.com).

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